quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Quadrinhos

O português do Brasil

Bom, o que dizer de uma apresentação como foi a das meninas que assistimos na última sexta-feira (19/09)? Apenas que não nos restaram dúvidas quando ao tema tratado. Em relação ao que foi dito sentimos muita segurança na fala e quase não houve erros.

Mesmo assim, optamos por uma assunto que estará em alta no ano que vem, a partir de 1º de janeiro de 2009 (
jc.uol.com.br/2008/08/18/not_177397.php), entrará em vigor as novas regras de Língua Portuguesa descritos por Marília Mendes.

Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Alfabeto
O alfabeto é agora formado por 26 letras
O 'k', 'w' e 'y' não eram consideradas letras do nosso alfabeto.
Essas letras serão usadas em siglas, símbolos, nomes próprios, palavras estrangeiras e seus derivados. Exemplos: km, watt, Byron, byroniano



Trema
Não existe mais o trema em língua portuguesa. Apenas em casos de nomes próprios e seus derivados, por exemplo: Müller, mülleriano
agüentar, conseqüência, cinqüenta, qüinqüênio, frqüência, freqüente, eloqüência, eloqüente, argüição, delinqüir, pingüim, tranqüilo, lingüiça
aguentar, consequência, cinquenta, quinquênio, frequência, frequente, eloquência, eloquente, arguição, delinquir, pinguim, tranquilo, linguiça.



Acentuação
Ditongos abertos (ei, OI) não são mais acentuados em palavras paroxítonas
assembléia, platéia, idéia, colméia, boléia, panacéia, Coréia, hebréia, bóia, paranóia, jibóia, apóio, heróico, paranóico
assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, panaceia, Coreia, hebreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranoico
Obs: nos ditongos abertos de palavras oxítonas e monossílabas o acento continua: herói, constrói, dói, anéis, papéis.
Obs2: o acento no ditongo aberto 'eu' continua: chapéu, véu, céu, ilhéu.

O hiato 'oo' não é mais acentuado
enjôo, vôo, corôo, perdôo, côo, môo, abençôo, povôo
enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo, abençoo, povoo
O hiato 'ee' não é mais acentuado
crêem, dêem, lêem, vêem, descrêem, relêem, revêem
creem, deem, leem, veem, descreem, releem, reveem

Não existe mais o acento diferencial em palavras homógrafas
pára (verbo), péla (substantivo e verbo), pêlo (substantivo) , pêra (substantivo) , péra (substantivo) , pólo (substantivo)
para (verbo), pela (substantivo e verbo), pelo (substantivo) , pera (substantivo) , pera (substantivo) , polo (substantivo)
Obs: o acento diferencial ainda permanece no verbo 'poder' (3ª pessoa do Pretérito Perfeito do Indicativo - 'pôde') e no verbo 'pôr' para diferenciar DA preposição 'por'

Não se acentua mais a letra 'u' nas formas verbais rizotônicas, quando precedido de 'g' ou 'q' e antes de 'e' ou 'I (gue, que, GUI, qui)
argúi, apazigúe, averigúe, enxagúe, enxagúemos, obliqúe
argui, apazigue,averigue, enxague, ensaguemos, oblique
Não se acentua mais 'I e 'u' tônicos em paroxítonas quando precedidos de ditongo
baiúca, boiúna, cheiínho, saiínha, feiúra, feiúme
baiuca, boiuna, cheiinho, saiinha, feiura, feiume



Hífen
O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por 'r' ou 's', sendo que essas devem ser dobradas
ante-sala, ante-sacristia, auto-retrato, anti-social, anti-rugas, arqui-romântico, arqui-rivalidae, auto-regulamentaçã o, auto-sugestão, contra-senso, contra-regra, contra-senha, extra-regimento, extra-sístole, extra-seco, infra-som, ultra-sonografia, semi-real, semi-sintético, supra-renal, supra-sensível
antessala, antessacristia, autorretrato, antissocial, antirrugas, arquirromântico, arquirrivalidade, autorregulamentaçã o, contrassenha, extrarregimento, extrassístole, extrasseco, infrassom, infrarrenal, ultrarromântico, ultrassonografia, suprarrenal, suprassensível
Obs: em prefixos terminados por 'r', permanece o hífen se a palavra seguinte for iniciada pela mesma letra: hiper-realista, hiper-requintado, hiper-requisitado, inter-racial, inter-regional, inter-relação, super-racional, super-realista, super-resistente etc.

O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por outra vogal
auto-afirmação, auto-ajuda, auto-aprendizagem, auto-escola, auto-estrada, auto-instrução, contra-exemplo, contra-indicaçã o, contra-ordem, extra-escolar, extra-oficial, infra-estrutura, intra-ocular, intra-uterino, neo-expressionista, neo-imperialista, semi-aberto, semi-árido, semi-automático, semi-embriagado, semi-obscuridade, supra-ocular, ultra-elevado
autoafirmação, autoajuda, autoaprendizabem, autoescola, autoestrada, autoinstrução, contraexemplo, contraindicaçã o, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiautomático, semiárido, semiembriagado, semiobscuridade, supraocular, ultraelevado.
Obs: esta nova regra vai uniformizar algumas exceções já existentes antes: antiaéreo, antiamericano, socioeconômico etc.
Obs2: esta regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por 'h': anti-herói, anti-higiênico, extra-humano, semi-herbáceo etc.

Agora utiliza-se hífen quando a palavra é formada por um prefixo (ou falso prefixo) terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal.
antiibérico, antiinflamató rio, antiinflacioná rio, antiimperialista, arquiinimigo, arquiirmandade, microondas, microônibus, microorgânico
anti-ibérico, anti-inflamató rio, anti-inflacioná rio, anti-imperialista, arqui-inimigo, arqui-irmandade, micro-ondas, micro-ônibus, micro-orgânico
obs: esta regra foi alterada por conta da regra anterior: prefixo termina com vogal + palavra inicia com vogal diferente = não tem hífen; prefixo termina com vogal + palavra inicia com mesma vogal = com hífen
obs2: uma exceção é o prefixo 'co'. Mesmo se a outra palavra inicia-se com a vogal 'o', NÃO utliza-se hífen.

Não usamos mais hífen em compostos que, pelo uso, perdeu-se a noção de composição
manda-chuva, pára-quedas, pára-quedista, pára-lama, pára-brisa, pára-choque, pára-vento
mandachuva, paraquedas, paraquedista, paralama, parabrisa, pára-choque, paravento
Obs: o uso do hífen permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação e constiui unidade sintagmática e semântica, mantendo o acento próprio, bem como naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas: ano-luz, azul-escuro, médico-cirurgiã o, conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, beija-flor, couve-flor, erva-doce, mal-me-quer, bem-te-vi etc.

O uso do hífen permanece. Exemplos:
Em palavras formadas por prefixos 'ex', 'vice', 'soto'
ex-marido, vice-presidente, soto-mestre
Em palavras formadas por prefixos 'circum' e 'pan' + palavras iniciadas em vogal, M ou N
pan-americano, circum-navegaçã o
Em palavras formadas com prefixos 'pré', 'pró' e 'pós' + palavras que tem significado próprio
pré-natal, pró-desarmamento, pós-graduação
Em palavras formadas pelas palavras 'além', 'aquém', 'recém', 'sem'
além-mar, além-fronteiras, aquém-oceano, recém-nascidos, recém-casados, sem-número, sem-teto

Não existe mais hífen. Exemplos
Exceções
Em locuções de qualquer tipo (substantivas, adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais)
cão de guarda, fim de semana, café com leite, pão de mel, sala de jantar, cartão de visita, cor de vinho, à vontade, abaixo de, acerca de etc.
água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao-deus-dará, à queima-roupa


Regionalismo, Metáforas e Metonímias

Outro assunto que pode ser tratado conforme o que foi exposto pelas meninas são a utilização de regionalização de expressões lingüísticas, metáforas e metonímias em histórias em quadrinho, mas afinal o que é isso?
Há um estudo publicado por Arilda Riani (www.filologia.org.br/viiifelin/24.htm), que diz que “cada nação tem seus usos e costumes transmitidos pela linguagem, que interage social e culturalmente sobre os seus indivíduos. Cada língua representa também as peculiaridades do seu povo, a internalização da sua cultura e a maneira original da representação do mundo que ele conhece”. No Brasil, o regionalismo aparece em várias regiões: sul, norte, nordeste, sudeste, cada uma com um sotaque diferente. Este regionalismo dá-se ao tamanho do Brasil, no qual se torna impossível controlar as regionalidade de cada povo. Para Arilda a marca da identidade cultural do brasileiro está “cordialidade” de sua fala, que tanto pode ser encontrada nas questões pronominais, na atenuação das formas imperativas e na linguagem irreverente sempre guiada por nossas ações emotivas. Nos quadrinhos, o melhor representante desta categoria, sem dúvida é o Chico Bento da Turma da Mônica, criado pelo Mauricio de Souza.
Quanto as metáforas e as metonímias, no site do PEAD - Universidade Federal do Rio de Janeiro (acd.ufrj.br/~pead/tema11/ponto13.html) encontramos as seguintes explicações:

Metáfora é a alteração do sentido de uma palavra ou expressão quando entre o sentido que o termo tem e o que ele adquire existe uma intersecção.
Ex: A urbanização de São Paulo está sendo feita de maneira criminosa, porque está destruindo os pulmões da cidade.
Neste caso, pulmões são as árvores da cidade, representadas como pulmões na frase acima.

Metonímia é a alteração do sentido de uma palavra ou expressão quando entre o sentido que o termo tem e o que adquire existe uma relação de inclusão ou de implicação.
Ex: As chaminés deveriam ir para fora da cidade de São Paulo.
Aqui, as chaminés são as fabricas de São Paulo.

A metonímia distingue-se da metáfora, pois esta se baseia numa intersecção de traços significativos, diferente da metonímia que se fundamenta em relações de inclusão e de implicação. Ambas muito usadas em histórias de quadrinhos.

O que é mais importante um RP saber, é que quando lidamos públicos de diferentes localidades, temos que nos atentar as linguagens regionais e ao uso de brincadeiras de linguagem, estas devem ser entendidas por qualquer leitor para que a mensagem tenha o feito que tanto esperamos: ser compreendida e absorvida. Quando lidamos, por exemplo com uma grande empresa e com filiais em várias partes do Brasil, a história em quadrinho pode ser veículo para a transmissão de uma mensagem de entendimento nacional.

Aline, Camila Amaral e Madeleine.

7 comentários:

Alunos de Relações Públicas disse...

Olá, gostei do conteúdo postado e percebi quantas mudanças teremos para do ano que vem.
Abaixo tem uma entrevista muito interessante com o Professor Pasquale, selecionei algumas perguntas, mas o conteúdo completo esta no site:

https://www.riopreto.sp.gov.br/cpub/pt/sm_educacao/site/jornaldaeducacao_arquivos/2008/05_maio/12_pasquale.htm

"Pasquale Cipro Neto critica a unificação do português e ressalta a importância da imprensa no aprendizado da língua
Para o professor Pasquale Cipro Neto, a unificação da grafia entre países de língua portuguesa vai ajudar apenas o Brasil a vender livros didáticos para Angola."

"O Brasil corre o risco de perder parte de sua identidade cultural com a unificação da língua portuguesa?
Pasquale Cipro Neto - No mínimo, é uma questão muito complicada. É como se alguém entrasse na sua casa mudando tudo de lugar. Muitas coisas que já estão consagradas e assimiladas podem mudar e estão gravadas pela memória visual das pessoas. É um verdadeiro inferno. Não há duvidas que novas regras impostas por um acordo vão gerar um clima de insatisfação muito grande."

"Qual a melhor forma de aprender o português?
Pasquale Cipro Neto - Não é na universidade. Português se aprende com a vida, lendo, estudando e errando. Aprendi a dominar o norma culta editando e revisando jornais e revistas. Acredito que a imprensa tem um papel fundamental na análise e discussão das construções lingüísticas. É nas redações que se põe em cheque os usos adequados no processo de comunicação."

"O estrangeirismo prejudica a manutenção da norma culta da língua portuguesa?
Pasquale Cipro Neto - Não gostamos de admitir, mas o Brasil é um país periférico. E como tal, nós importamos muito das culturas dos países desenvolvidos e exportamos muito pouco. Nessa importação vêm muita porcaria, mas também palavras que incorporamos ao nosso vocabulário. Por causa da ampla utilização, pouca gente sabe que “gripe” e “garçom” são palavras de origem francesa. O intercâmbio entre as línguas sempre existiu. A linguagem não é algo estático, ela vive em constante transformação."

Beijos,
Priscila Rondon

Anônimo disse...

Olá,
Realmente é muito importante sabermos essas novas regras. Como comentou o professor José Roberto em outro post, essa mudança começará a valer em janeiro de 2009.
Acredito que será bastante difícil nos acostumarmos com essa nova escrita, já que, desde nossa infância, aprendemos uma gramática bem diferente.
Eu tenho um guia prático da Nova Ortografia. Se alguém por acaso quiser ver depois, é só pedir.
Beijos,
Viviane

Anônimo disse...

Obrigada pelos elogios... Ficamos felizes por ter atingido nosso objetivo principal da aula: passar o conteúdo com segurança e sem grandes falhas.
Beijos,
Claudia, Giselli e Viviane.

Anônimo disse...

"só teremos trema em nomes proprios e derivados" e "agüentar" é exemplo.
No caso seria derivado de qual nome?
A matéria tá toda copiada, merecia uma explicação melhor ao invés de 'ctrl c', 'ctrl v' não?...

Anônimo disse...

Voltei para pedir desculpas pelo comentário acima, mas vocês também precisam ter deixado mais claro, com a correção ao lado da palavra, por exemplo.

Anônimo disse...

Olá,

Andy, para que você possa enterder como fica o uso da Trema, segue um histórico sobre o tema.

Conforme a wikipedia:
"De acordo com o Formulário Ortográfico de 1943, o trema é usado no português brasileiro para assinalar que a letra u nas combinações que, qui, gue e gui, normalmente muda, deva ser pronunciada e átona. Exemplos: qüinqüênio (pronuncia-se então "cuincuênio") e conseqüência (pronuncia-se então "consecUência").Se for tônica deve-se pôr um acento agudo, como em averigúe e argúi.

Até a alteração promovida pela Lei 5.765/1971, o trema tinha uma utilização opcional: marcar hiatos átonos, em palavras como gaüchismo"

Com as novas regras, o uso de trema em palavras como agüentar não é mais necessário.

No caso de nomes próprios e seus derivados o acento continua: Müler (nome próprio) - müleriano (derivado).

Espero que tenha compreendido.

Abs,
Madeleine

Anônimo disse...

Acordo é acordo. E todos devemos conhecê-lo.
A opção por tratar dele foi acertada. O leitor crítico fez um gol.
E quando é que vão me dar atenção? Venho reclamando de pontuação há séculos e ninguém fala nada.
O leitor crítico desta semana cometeu mais um erro: "O que é mais importante um RP saber, é que quando lidamos...".
Quando é que o leitor crítico vai dar atenção para isso?
E cuidado: a lei de 1971 não modificou o uso do trema definido em 1934.

Abraço.

Roberto.