segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Crônica Literária

Coerência e Coesão Textuais

A atividade proposta pelo grupo responsável pelo tema “Crônica Literária”, na qual os alunos tiveram que redigir uma crônica sem o conhecimento do texto em sua totalidade, levou-nos a postar sobre a importância da coesão e da coerência em uma estrutura textual. A produção de trechos desconexos no objetivo de redigir uma crônica sobre o tema “Como a China recebe o mundo e como o mundo recebe a China” resultou em textos confusos, incoerentes e até mesmo, muito engraçados.

A relação lógica entre as idéias expressadas deve resultar em um princípio de interpretabilidade no qual as informações sejam claras, tenham sentido e não sejam contraditórias.
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Coerência é a ligação em conjunto dos elementos que formam um texto, a coesão é a associação consistente desses elementos. A coesão diz respeito ao modo como ligamos os elementos textuais numa sequência, a coerência não é apenas uma marca textual, mas diz respeito aos conceitos e às relações semânticas que permitem a união dos elementos textuais.
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Coerência e coesão são fenômenos distintos pois podem ocorrer numa sequência coesiva de fatos isolados que, combinados entre si, não têm condições para formar um texto. A coesão não é uma condição necessária e suficiente para construir um texto. No exemplo:
  1. Maria não participou das Olimpíadas de Pequim.
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  2. Ela não sabe onde foram realizadas as primeiras Olimpíadas do mundo.
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  3. Diego Cielo ganhou uma medalha de ouro nas Olimpíadas.
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  4. Os Estados Unidos estão na segunda colocação das Olimpíadas de Pequim.
O termo lexical “Olimpíadas” é comum a todas as frases e o nome “Maria” está pronominalizado, contudo, tal não é suficiente para formar um texto, uma vez que não possuímos as relações de sentido que unificam a sequência, apesar da coesão individual das frases encadeadas.
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A coesão textual pode realizar-se mediante quatro procedimentos gramaticais elementares:
  • Substituição: Quando uma palavra ou expressão substitui as anteriores;
  • Reiteração: Quando se repetem as formas no texto;
  • Conjunção: Quando uma palavra, expressão ou oração se relaciona com outras antecedentes por meio de conectores gramaticais;
  • Concordância: Quando se obtém uma sequência gramaticalmente lógica, em que todos os elementos concordam entre si (tempos e modos verbais correlacionados, regências verbais corretas, gênero gramatical corretamente atribuído, coordenação e subordinação entre as orações).

A coerência de um texto inclui fatores como o conhecimento que o produtor e o receptor têm do assunto abordado no texto, conhecimento de mundo, o conhecimento que esses têm da língua que usam e intertextualidade.

Novas Regras Gramaticais da Língua Portuguesa

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Segundo o jornal Folha de São Paulo, publicado em 20/08/2007, o Brasil já está começando a se preparar para a mudança ortográfica na língua portuguesa. Tal mudança foi discutida entre 08 países que a usam e terá como objetivo a aproximação dessas culturas.
Essa nova regra trará a inclusão das letras K, W e Y no alfabeto, vai acabar com a utilização do trema e alguns acentos e também vai alterar as regras do hífen.
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De acordo com o Guia Prático da Nova Ortografia criado pelo professor e autor de livros didáticos de língua portuguesa Douglas Tufano, a implantação das regras desse acordo está prevista para acontecer em janeiro de 2009.
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Para os interessados, o Guia está disponível no link:
http://www.livrariamelhoramentos.com.br/Guia_Reforma_Ortografica_Melhoramentos.pdf

Na apresentação do grupo referente ao tema Crônicas Literárias, notamos a utilização do trema na palavra “freqüente”. Os editores de texto disponíveis no computador, ainda não estão adequados e atualizados com as novas regras ortográficas e, por este motivo, acreditamos que tenha sido ajustado automaticamente pelo programa. Esta palavra deverá perder o trema assim que o acordo for implantado.

Ressaltamos um parágrafo do Guia Prático, a fim de esclarecer um pouco mais sobre a nova regra:
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(...) Esse acordo é meramente ortográfico; portanto, restringe-se à língua escrita, não afetando nenhum aspecto da língua falada. Ele não elimina as diferenças ortográficas observadas nos países que têm a língua portuguesa como idioma oficial, mas é um passo em direção à pretendida unificação ortográfica desses países. (...)
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Utilização da palavra "Obrigado"

Notamos também que ao final da apresentação, a palavra “OBRIGADO!!!” foi inserida incorretamente, pois trata-se de um grupo formado apenas de pessoas do sexo feminino.

A palavra OBRIGADO, vem do verbo obrigar e no caso de agradecimento é um adjetivo, cujo o significado é que se sente um devedor de um favor, de uma amabilidade, agradecido, grato. Significa portanto, sentir-se obrigado a alguém por algo. Por ser adjetivo, deve concordar com o elemento a que se refere em gênero, ou seja, masculino ou feminino, dependendo da pessoa que se sentir obrigada a retribuir um favor. Portanto, um homem deve agradecer usando a palavra obrigado e uma mulher obrigada.

Curiosidade: Em resposta ao agradecimento, já que obrigado significa sentir-se obrigado a alguém por algo, pode-se responder à pessoa “por nada” ou “não há de quê”. Muitas pessoas respondem inadequadamente e utilizam o “obrigado você”. No caso, o correto seria “obrigado eu” ou “obrigado a você” ou então “eu que agradeço”.

Essas foram as observações ortográficas das leitoras críticas Carla, Daniele Rosati e Karen.


Referências Bibliográficas:

Site: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa
http://www2.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/C/coerencia_coesao.htm
Site: Folha Online
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u321371.shtml
Site: Guia Prático da Nova Ortografia
http://www.livrariamelhoramentos.com.br/Guia_Reforma_Ortografica_Melhoramentos.pdf
Site: Gramática Online

www.gramaticaonline.com.br

5 comentários:

Alunos de Relações Públicas disse...

Com relação a questão da reforma ortográfica, segundo informações divulgadas no programa Nossa Lingua Portuguesa idealizado e apresentado pelo professor Pasquale, a regras começam a valer em janeiro de 2009. O Brasil aderiu ao mesmo prazo estilupado em Portugal, seis anos, para que todas as publicações, jornais, revistas, livros didáticos e etc, sejam redigidos de acordo com as novas regras ortográficas.
Entendi que Portugal, Brasil, e os outros países que tem como idioma o português, estão empenhados em concluir o acordo, porém algumas regras estão em discussão e "negociação" para que de fato seja implantado.

Alunos de Relações Públicas disse...

Esqueci de assinar ... Eliana Nogueira.
Gostei e foi batante apropriado a postagem dos leitores críticos. Parabéns!

Anônimo disse...

Estou ficando cada vez mais feliz.
Quem diria: até discussão sobre a reforma ortográfica! E com direito a link para um guia em pdf! Quem diria!
Gostei bastante da discussão sobre coerência e coesão. Acho até que ela poderia continuar nas próximas semanas.
Já havia dado uma dica no blog de conteúdo sobre o emprego do pronome relativo, item de coesão importantíssimo. Será que vão aceitar? Aliás, aqui no texto, há dois exemplos para discutir:
1) "A atividade proposta pelo grupo responsável pelo tema “Crônica Literária”, na qual tiveram que redigir";
2)"vem do verbo obrigar e no caso de agradecimento é um adjetivo, cujo o significado é que se sente um devedor de um favor".
Quem se habilita?
E a vírgula? Será que o emprego da vírgula não está relacionado à coesão e coerência? Por exemplo: "resultou em textos confusos, incoerentes e até mesmo, muito engraçados."
Qual é o último item da enumeração "até mesmo" ou "muito engraçados"?

Uma última pergunta: um grupo de lindas moças não deveria dizer "obrigadas"?

Vou esperar resposta.


Abraço.

Roberto.

Karen Bezerra disse...

Professor Roberto,

Concordamos que o emprego do pronome relativo é de extrema importância na coesão textual. Em relação aos itens em discussão:

1) "A atividade proposta pelo grupo responsável pelo tema “Crônica Literária”, na qual tiveram que redigir";
O emprego de "na qual" equivale ao pronome relativo onde, "na atividade em que". Neste caso também poderíamos utilizar o pronome "para qual" com a função de finalidade.

2)"vem do verbo obrigar e no caso de agradecimento é um adjetivo, cujo o significado é que se sente um devedor de um favor".
O pronome relativo cujo (e flexões) é relativo possessivo equivale a do qual, de que, de quem. Deve concordar com a "coisa" possuída.
Nestas situações não devemos utilizar o artigo, o correto seria " cujo significado...".

3) "resultou em textos confusos, incoerentes e até mesmo, muito engraçados."
O emprego da vírgula também pode alterar o significado da frase, prejudicando a coerência. Neste caso o mais adequado seria: "resultou em textos confusos, incoerentes e até mesmo muito engraçados." Sem a utilização da vírgula.

E por fim, o grupo de lindas moças realmente deveria dizer "Obrigadas"!

Por esta nós não esperávamos. OBRIGADAS!

Karen, Carla e Daniele Rosati.

Alunos de Relações Públicas disse...

Olá,
Gostei bastante do conteúdo postado,principalmente do adjetivo "obrigadas".
Parabéns ao grupo!
Priscila Rondon